terça-feira, 28 de maio de 2013

Caboclos e Boiadeiros

Os caboclos em geral, são espíritos de luz que trabalham com a vestimenta astral de índios brasileiros, não tendo sido necessariamente índios em encarnações passadas. Eles representam a maturidade, a fase adulta da vida humana.

São tradicionalmente cultuados na Umbanda, mas algumas casas de Candomblé, principalmente de nação Angola, aderiram ao culto aos ancestrais indígenas. Isto se deve ao fato do grande respeito e semelhança que os negros africanos tiveram com os índios do Brasil colônia. Muitos negros aprenderam com o índios os segredos das plantas que nascem somente em nossas terras. Analisando a história, vemos como os indígenas influenciaram definitivamente para o Candomblé brasileiro que se apresenta hoje.

Na Umbanda Caboclos e Boiadeiros são cultuados em linhas separadas, no entanto, no Candomblé, são cultuados todos como Caboclos, se dividindo em Caboclos de Pena e Caboclo de Boiadeiro.

Os Caboclos de Pena, se apresentam com um brado forte, seu grito de guerra. Fazem gestos de que estão lançado flechas, bodoques. Rodam muito quando estão dançando, não são muito de falar.


Os Boiadeiros trazem características do povo do campo, das grandes chapadas, criadores de gado, capitães do mato, capangas, coronéis de fazenda. Se apresentam gesticulando laçadas de boi, com voz forte, cavalgando em cima de uma cavalo. Ás vezes trabalham com chicotes (seu barulho espanta os maus espíritos), laços, chapéus de couro ou palha. No Candomblé, dançam alegremente, de forma que encantam as pessoas que assistem. Podem ser ou não muito falantes.

Trabalham geralmente com a limpeza através de cantos, ervas, banhos e defumação. São rápidos em seus passes, firmes e sérios, quase não dão um sorriso. Porém, alguns Boiadeiros apresentam-se bem alegres e divertidos, esbanjando alegria pelo terreiro.

Aqui constam algumas cantigas (pontos cantados na Umbanda) de Caboclo de Pena e Caboclo Boiadeiro. Estará em constante edição, conforme eu for lembrando de mais cantigas e aprendendo novas eu vou adicionando.

Espero que gostem e que possa ajudar aos que tem interesse. 

Só para ressaltar, eu não estou colocando onde se repete, onde dobra, somente a letra mesmo.

Podem mandar sugestões!

Caboclo, guerreiro
Tu és a nação do Brasil
Tu és a nação brasileira caboclo
Das cores da nossa bandeira
O verde é a esperança
O amarelo é o desespero
E o azul é a liberdade dos caboclos brasileiros

Bando olê, olê, olê
Bando olê, olê, olá
Bando olê meus caboclos

Bando olê, olê, olá
Da laranja eu quero o gomo
Do limão quero um pedaço
E dos caboclos dessa aldeia
Eu quero a benção e um abraço
E bando olê.

Eu perguntei a caboclo, se essa mata é sua
Caboclo me respondeu
Caboclo me respondeu
Essa mata é de Oxóssi e do Caboclo Lua

Maré encheu
Maré vazou
De longe, bem longe eu avistei a aurora
A minha cabana coberta de sapê
Meu arco
Minha flecha
Minha folha de guiné

Eu nunca pensei
Tomba Jussara
Vir aqui lhe ver 
Tomba Jussara

Andei, andei meu pai pra conhecer
A minha cina meu pai é padecer
Bateu na porta meu pai, vai atender
Caboclo Lua meu pai, Oluayê!

Oh Lua nova clareia o dia
Oh Lua nova clareia o mar
Oh Lua nova clareia o salão de caboclo vadiar.

Oh Lua branca que clareia o mundo inteiro
Oh Lua nova não me deixa vacilar
Não sei se levo saudades de alguém
Não sei se levo alguém para lá

Vestimenta de caboclo é samambaia
É samambaia, é samambaia
Saia caboclo
Não me atrapalha
Saia do meio da samambaia

Eu chamo os caboclos da mata
É pra trabalhar
Se a mata é muita alta
Caboclo vai derrubar

A Jurema tem
A Jurema dá
Caboclo bom pra trabalhar
Mandei pedir
Mandei buscar
Caboclo bom pra trabalhar

Jurema preta
Oh Jurema rainha
É dona da cidade
Mas a chave é minha

Caboclo não tem caminho para caminhar
Caminha por cima da folha
Por baixo da folha
Em todo lugar
Okê Caboclo!

Oh lá nas matas da Jurema
Lá nas matas da Jurema
É uma lei severa
É uma lei sem pena

Oh Jeremê
Oh Juremá
Suia flecha caiu serena Jurema
Dentro desse congá
Salve São Jorge guerreiro
Salve São Sebastião
Salve as matas da Jurema
Que dão sua proteção
Oh Jurema

Caiu uma flecha na Jurema
Veio o sereno e molhou
E depois veio o Sol
Enxugou, enxugou
E a sua mata se abriu toda em flor

Artilharia eu já saudei
Toda ribeira deu sinal

Se a Coral é sua cinta
A Jiboia é sua lança
Oh kizoa, kizoa, kizoa eh
Caboclo mora na mata

Caboclo é luz na beira do caminho
Oh não me mate essa Coral na estrada
Que ela abandonou sua choupana, caçador
Foi no romper da madrugada.

Sucuri, Jiboia
Quando vem beirando o mar
Olha como congo oiô a sua Cobra Coral
Segura essa cobra
Não deixa ela fugir
Que o nome dessa cobra
É cobra Sucuri

Sultão das matas sou eu
Sultão das matas sou eu
Eu fui na mata para ver Sultão
Eu fui na aldeia de caboclo valentão

Boia, Boiadeiro
Boiadeiro bóia
Se contar a minha história
Boiadeiro chora

A minha boiada é de 31
Eu contei foi 30
Me falta 1

Seu Boiadeiro por aqui choveu
Choveu, choveu que água rolou
Foi tanta água que seu boi nadou

Chetruê, chetruá
Corda de laçar meu boi
Chetruê, chetruá
Corda de meu boi laçar
Chetruê, Chetruá
Corda de laçar meu boi
Chetruê, chetruá
Que eu não sei pra onde foi

A menina do sobrado mandou me chamar pra seu criado
Eu mandei dizer a ela: estou vaquejando o meu gado
Odô Boiadeiro!
Eu gosto é de samba arroxado.

A abelha que faz o mel
Também faz o samburá
Caboclo pega sua flecha
Não deixa o outro roubar
Oh oh, oh oh.... guerreiro joga a flecha para o ar
oh oh, oh oh... não deixa o outro roubar

Sou brasileiro, sou brasileiro
Sou brasileiro o que é que eu sou
Sou brasileiro, brasileiro imperador

Chetru maromba chetru, chetruá
Chetru maromba chetru, chetruá
Chetru maromba chetru
Chetru maromba chetru, chetruá

Mas um adeus
Um aleluia adeus
Vou pra Jurema
Quem vai embora sou eu
Eu já vou, já vou
Eu já vou pra lá
O meu pai me chama
Eu já vou me retirar

Caboclo pegue a sua flecha
Pegue seu bodoque
O galo já cantou
Se o galo já cantou lá na aruanda
Oxalá te chama para a sua banda